Sucesso da Gestão Financeira

Uma boa gestão financeira pode ser a chave do sucesso de qualquer negócio. É muito comum depararmos com negócios que apresentam um excelente resultado econômico, ou seja, empresas que apresentam na análise por competência (quando o fato gerador acontece e não necessariamente quando o dinheiro sai do caixa) resultados positivos, mas que fecham o caixa no vermelho e apresentam evolução no saldo devedor junto às instituições financeiras. A pergunta é: para onde está indo o dinheiro?

Muitos sócios e investidores, nestes casos, chegam a cogitar a possibilidade de estarem sendo passados para trás e buscam indícios de furto dentro da própria empresa, mas, quase sempre, a causa está em falhas da gestão financeira. Apresentar resultados positivos na DRE – Demonstrativo de Resultado do Exercício, mas conceder prazos aos clientes acima da capacidade de financiamento da empresa, pode gerar sérios problemas de caixa no curto prazo e consequente redução da rentabilidade no médio e longo prazo.

Mas por que isso acontece?

Conhecer o Ciclo Operacional e o Ciclo de Caixa da sua empresa é um primeiro passo para entender o que acontece no seu fluxo de caixa. O Ciclo Operacional é a soma do Prazo Médio de Estocagem (PME) com o Prazo Médio de Recebimento (PMR), ou seja, um indicador que aponta o tempo médio que a empresa comprou o produto e esperou para receber sobre a venda do mesmo. O Ciclo de Caixa é calculado pelo do Ciclo Operacional menos o Prazo Médio de Pagamento (PMP), que é o tempo médio que a empresa demorou para pagar seus fornecedores.

Para exemplificar, imagine que a sua empresa tem em média 40 dias de Prazo Médio de Estocagem (PME) e 28 dias de Prazo Médio de Recebimento (PMR), somando 68 dias de Ciclo Operacional. Se o Prazo Médio de Pagamento (PMP) é de 30 dias, significa que o seu Ciclo de Caixa é de 38 dias, em resumo, você recebe suas vendas com 68 dias, mas paga por elas em 30 dias. Neste caso, você precisa de recursos para financiar seus clientes durante os restantes 38 dias.

O pior acontece quando em momentos de adversidade e crise econômica a empresa precisa vender e aumenta o Prazo Médio de Recebimento, oferecendo condições de parcelamento a perder de vista, sem conhecer os ciclos do próprio negócio. Resultado? Falta de dinheiro em caixa para pagar as despesas fixas, recorrendo aos créditos rotativos: cheque especial, cartões de crédito, conta garantida e outros dispositivos financeiros que possuem limite pré-aprovado e que são fácil contratação, porém com juros altíssimos.

Desta forma, se não planejado, toda a sua margem de lucro pode estar indo embora, em apenas uma má gestão financeira O cenário perfeito para qualquer negócio é ter Ciclo de Caixa negativo, reduzindo o Prazo Médio de Estocagem e o Prazo Médio de Recebimento, além de negociar com os fornecedores o Prazo Médio de Pagamento.

Para exemplificar, veja a diferença de uma empresa que tem em média 20 dias de Prazo Médio de Estocagem e 20 dias de Prazo Médio de Recebimento, somando 40 dias de Ciclo Operacional. Se o Prazo Médio de Pagamento é de 60 dias, significa que o seu Ciclo de Caixa é de (-) 20, ou seja, seus clientes estão sendo financiados pelos seus fornecedores e não pelos recursos da empresa.

A situação exemplificada é ideal para o Ciclo de Caixa. No entanto, grande parte dos negócios não permite ter esses prazos, é necessário planejar e saber calcular o quanto você está gastando neste período em que os pagamentos para os fornecedores e/ou mão de obra já foram feitos e o recebimento do cliente não entrou no caixa. Este cálculo é importante para precificar melhor o seu produto/serviço e saber a condição de pagamento que pode ser oferecida ao cliente na hora da venda.

Capital de Giro

Conhecendo o Ciclo Operacional e o Ciclo de Caixa, sabendo da necessidade de financiar o produto ou serviço por alguns dias, o próximo passo é calcular o valor real do Capital de Giro, investindo de forma responsável neste recurso para garantir um Fluxo de Caixa positivo e o funcionamento sustentável do negócio. O Capital de Giro é o recurso de reserva que a empresa tem, de rápida renovação, destinado para suprir as necessidades rotineiras da gestão financeira da empresa. Se a mensuração da necessidade de Capital de Giro da sua empresa for ineficiente, você pode acabar precisando utilizar de outros recursos financeiros, endividando a sua empresa sem planejamento.

 

Não deixe dinheiro parado em caixa

Perder dinheiro

Dinheiro parado pode significar uma capacidade ociosa. Mesmo que por poucos dias, é importante não deixar capital imobilizado no caixa, desta forma a sua empresa está deixando de render e ainda perdendo dinheiro com os efeitos da inflação. Por exemplo, com base na inflação do ano passado, em torno de 10%, se você deixar R$ 10 mil parados, em doze meses eles passam a valer em poder de compra o equivalente a R$ 9 mil.

Se você não quer ou não pode investir no próprio negócio com o recurso que está parado, porque vai precisar dele mais para frente, estude formas de investimento em instituições financeiras, protegendo o seu dinheiro dos efeitos da inflação e fazendo ele render e trabalhar por você. Seja qual for a operação escolhida, é preciso analisar com racionalidade qual a sua necessidade de prazo para resgatar o dinheiro. Se por alguma eventualidade precisar do recurso com certa urgência a aplicação deve permitir resgate imediato. Nestes casos, sugere-se a própria aplicação automática do banco ou opções que apresentem liquidez imediata. Lembre-se, com o dinheiro parado, você não deixa apenas de ganhar, e sim perde dinheiro, afetando o seu negócio no médio e longo prazo.

Muitas vezes não tomamos conhecimento que o caixa está com dinheiro parado, principalmente quando se trata de alguns dias. Por isso, reforçamos a importância do fluxo de caixa atualizado com a máxima frequência viável para a sua empresa, o ideal é que seja diariamente. Tomar conhecimento do seu caixa pode mudar muito o cenário de sucesso do seu negócio. Com essa ferramenta, você consegue analisar para onde vai o seu dinheiro e onde está perdendo em rendimento e taxas de juros.

Saiba como montar o fluxo de caixa da sua empresa acessando o nosso e-book com os 10 passos para montar o fluxo de caixa.

Conheça também os 7 erros mais comuns no fluxo de caixa de uma empresa.

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